Volta ao trabalho após a licença-maternidade na Inglaterra
Quando eu engravidei aqui em Londres eu trabalhava, já em tempo parcial, em uma escola primária. E acho que era um sentimento meio de proletária que me dizia que era importante passar por esse processo com direitos sociais garantidos pela carteira assinada. Isso inclui o direito à licença-maternidade. Com isso em mente, trabalhei até duas semanas antes do meu filho nascer e acredito que foi a melhor opção para mim, já que estava perfeitamente saudável e que a espera de apenas duas semanas em casa quase me enlouqueceu.
A licença-maternidade aqui na Inglaterra é de até 52 semanas, o que é um ano. Existem alguns empregadores que aumentam esse direito em tempo ou em pagamento. Dependendo de sua ocupação profissional você tem direito à um determinado número de semanas com pagamento integral do seu salário e, após isso, o rendimento vai descrescendo até atingir o “Statutory Pay”, que é o mínimo pago pelo governo nessa situação, o equivalente à entrar pela Caixa no Brasil.
Quando entrei em licença eu tinha uma idéia muito interessante. Achei que usaria todo esse tempo de 52 semanas para fazer cursos, ler loucamente tudo o que nunca tinha tempo por conta do trabalho. Achei que desengavetaria mil planos e projetos, pois então teria tempo. Já são 9 meses em casa e claro que nada disso aconteceu. Os cursos que fiz se resumem aos manuais dos produtos e equipamentos de bebê que a gente tem que aprender a usar. Li muito! Artigos de bebê desses aplicativos de celular, principalmente nas madrugadas entre as mamadas. E meus mil planos e projetos que existiam quando eu não era mãe simplismente mudaram. Meu principal plano e projeto é um serzinho lindo e cada dia mais sapeca, que quer atenção, tempo e dedicação.
No entanto, mesmo soterrada nessa montanha de amor, carinho, fralda e roupa para lavar eu sempre tive a vontade de voltar a trabalhar. Percebi que logo que ele nasceu eu não tinha condições de me concentrar e isso durou uns 3 meses. Após isso estava revolvendo na rotina de dar de mamar e trocar fraldas de um bebê que teve diarréia e refluxo durante mais 2 meses. Mas depois de uns 6 ou 7 meses eu já comecei a pensar nas estratégias que teria que adotar para poder voltar a trabalhar e saí pesquisando as opções.
A primeira constatação que se tem é que é muito caro pagar alguém para cuidar de bebê. Diferentemente de outros países, como a França por exemplo, que se paga valores por serviços dessa natureza calculados de acordo com o quanto se ganha. Aqui na Inglaterra existem algumas modalidades diferentes que variam em preço e tipo de seviço. Eu pesquisei as 3 mais comuns: Babá, Childminder (que é quando a pessoa cuida de um número reduzido de crianças na casa dela) e Creche.
Babá
Quando estava fazendo meu mestrado há uns anos atrás precisava de algumas horas de trabalho para pagar as contas. Naquela época eu trabalhei como babá por um pouco mais de um ano. Foi uma experiência muito bacana. Claro que como qualquer outro trabalho, com seus altos e baixos. Mas porque já tinha tido essa experiência já sabia que uma profissional dessa área cobraria um valor muito alto também. Babás na região de Londres recebem a partir de 10£ a hora. Não preciso dizer que isso não é compatível com o modesto salário de professora, certo?
Pedi recomendações e estudamos a possibilidade cuidadosamente. E foi assim que desistimos em um curto espaço de tempo. Financeiramente incompatível.
Childminder
Apostei minhas fichas nessa modalidade. Pessoas que cuidam de crianças em suas casas. Muitas dessas pessoas nunca trablharam em educação, mas se viram em algum momento de suas vidas (como o meu agora) encurraladas entre o valor de um salário e os custos envolvidos no cuidado com seus filhos. Por isso, essas pessoas se tornaram cuidadoras, ou childminders. Elas precisam de qualificação e um registro com o governo, além de uma checagem obrigatória de antecedentes criminais.
Me surpreendi com a diversidade de pessoas que oferecem esse serviço. Visitei pessoas que tinham mini créches em seus porões e senhorinhas de idade que eu duvidei que seriam capazes de subir as escadas. No geral pessoas muito bacanas, mas que no fundo estavam oferecendo serviços diferenciados. Flexibildade de horários, comidas organicas feitas no local, saídas educativas. Tudo a troco de preços diferenciados também e infelizmente inacessíveis para a minha pequena família.
Creche
Foi a primeira das minhas opções. Queria que meu garoto estivesse em um ambiente com estimulos estruturados, que apoiasse o desenvolvimento dele. Quando cheguei em Londres, meu primeiro trabalho foi em um creche, e foi um aprendizado muito intenso. O trabalho em si é super puxado, mas o sistema adotado de educação é um modelo que sempre gostei muito. Ele é chamado EYFS (Early Years Foundation Stage) , e é baseado no contato de uma pessoa específica responsável por um número pequeno de crianças e assim é possivel avaliar os progressos e áreas de desenvolvimento.
Com tudo isso em mente fui à creche mais próxima da minha casa. Levei o susto da minha vida. Os valores para se deixar uma criança naquela creche iam muito além do meu salário modesto de professora tempo parcial. Seria impossível matriculá-lo naquele lugar. Mas vale dizer que é uma créche privada, uma rede que oferece um trabalho até que bem bacana, apesar dos números de crianças que atendem. No caso da salinha para os bebês, eles chgavam a ter 25 crianças!
Pouco antes de pedir as contas do meu trabalho encontrei uma outra créche no meu bairro, muito menor e umas mil vezes mais simples. Para apenas uns 20 alunos no total e com disponibilidade para tempo parcial também. Essa foi a solucão que encontrei de último minuto e espero que dê certo.
Eu ainda não o matriculei, mas pelo menos pude decidir a voltar a trabalhar, e isso foi a real questão que me tomou o coração nos últimos meses.
Que venha a próxima fase.
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